Este título pode parecer estranho. Porque estou eu a comparar empresas com a Madonna? O que terão as empresas a aprender com a Madonna?

Acredito que todos vós conheçam a Madonna. Podem gostar ou não gostar, podem vibrar com as canções que quase sempre têm atingido os topos das tabelas de vendas ou podem detestá-las. A verdade é que a Madonna já conta com 28 anos de carreira, com altos e baixos, mas sempre inovadores e polémicos. A Madonna descobriu desde cedo que só fazendo música adequada ao momento é que conseguia manter-se como a Rainha da Pop. Só trabalhando com os melhores na indústria, só mantendo uma imagem polémica e controversa conseguiria que os jornais falassem de si e as pessoas não se esquecessem do seu nome. Com passos bem planeados, com cada imagem pensada ao pormenor a verdade é que 28 anos depois a Madonna é um símbolo incontornável da cultura americana e tem conseguido marcar geração atrás de geração.

Para mim a Apple está para a indústria do software/hardware como a Madonna está para a música. Ambas têm conseguido inovar, ambas têm estado à frente das tendências e têm marcado gerações, tendo milhões de seguidores e apaixonados. No entanto, nem todas as empresas se podem gabar de estarem constantemente a inovar e a levar conceitos novos para o mercado. A Microsoft é claramente uma empresa com muito para aprender com a Madonna. Conquistaram o mercado do software de uma forma espectacular, mas mantém a sua liderança, não pela inovação no produto ou a imagem que criaram, mas sim porque conseguiram criar um monopólio difícil de destruir. Não têm lançado inovações disruptivas no mercado. Não têm conseguido criar uma imagem de confiança nos seus clientes e a maior parte das pessoas usam Windows porque não tem outra escolha e não por se sentirem necessariamente satisfeitas com o sistema operativo. A Microsoft tem sido incapaz de se aperceber das tendências de mercado e das novas necessidades do consumidor. Mesmo estando o mercado a dar claros sinais de mudança a Microsoft, não tem conseguido seguir o exemplo da Madonna, pelo que apesar de ter uma posição forte no mercado o futuro é bastante incerto.

Há uns anos atrás era impensável escrever o que vou escrever a seguir. Hoje considero que a própria Google se está a deixar ficar para trás e não está a conseguir inovar. Recentemente a Google “matou” cerca de 10 produtos. Eu vi a lista dos mesmos e a verdade é que não conhecia nenhum. Nos últimos anos vimos a Google a aumentar a oferta de produtos e todos nós agradecemos. Hoje não consigo viver sem o seu motor de busca, sem o Gmail, sem o Calendar ou os Gdocs. Estes são produtos fantásticos que melhoram tremendamente a nossa vida. Mas, eu sou da opinião que produtos como o Gdocs podiam ser muito melhorados se a Google não estivesse tão “obcecada” em intervir em todas as áreas que compõem a nossa presença na Web. O recente lançamento do Google+ é mais um exemplo disso. Eu compreendo que a Google não pudesse ficar parada ao ver o Facebook crescer de forma exponencial, mas a verdade é que, gastaram 500 millhões de dólares num produto interessante, mas nada inovador, que a maioria das pessoas depois do entusiasmo inicial esqueceu totalmente e voltou ao seu Facebook e ao seu Twitter. A Google tem toda a capacidade para ser disruptiva. O Android pode-se tornar uma plataforma mobile de excelência e o tão falado e esperado sistema operativo da Google pode fazer o mercado mexer. Pessoalmente, acho que nos últimos 2 anos as escolhas da Google não foram as mais acertadas e a necessidade de copiar, primeiro o Twitter com o Google Buzz e depois o Facebook com o Google+ têm até agora sido propostas fracassadas.

Falei no exemplo de duas empresas que são colossos, já com muitos anos no mercado e que têm um papel preponderante na nossa vida. Já o Facebook, uma empresa bem mais recente, tem conseguido inovar de uma forma espantosa. Todas as recentes novidades e o novo perfil são claramente um avanço gigantesco na forma como vemos as redes sociais e na forma como interagimos com elas. Resta saber se o Facebook conseguirá seguir o exemplo da Madonna e independentemente da concorrência, da dimensão da empresa ou dos anos que passem continuam a ser disruptivos.

Estes são os exemplos que escolhi, mas acredito que todas as empresas têm muito a aprender com a Madonna. Hoje, com a forte concorrência que existe em todas as áreas, com as novas tecnologias que são lançadas no mercado, nenhuma empresa se pode dar ao luxo de não inovar. Mesmo empresas mais tradicionais têm que adequar os seus produtos às novas necessidades dos consumidores. É importante não esquecer que a primeira geração que nasceu com acesso fácil à internet ainda não tem poder de compra, mas já não falta muito tempo para chegarem ao mercado. Nessa altura acredito que as empresas mais tradicionais que até agora têm passado pelas alterações dos hábitos dos consumidores sem grandes dificuldades vão ser obrigadas a inovador radicalmente.

P.S. Não sou uma grande fã da música da Madonna, mas não posso deixar de reconhecer a inteligência e a capacidade que tem demonstrado ao longo dos anos.

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