Num ano de viragem para a Bang & Olufsen, pedimos o testemunho de alguns dos participantes na edição deste ano da B&O Summer School e apresentamos o modelo de selecção dos alunos.

A tomada de posse de um novo CEO na empresa marca uma mudança quase radical na abordagem da B&O ao mercado de gama alta de produtos áudio e televisores e a edição de 2011 do programa Conceptual Design and Development of Innovative Products reflectiu isso mesmo. Mas antes de me focar e descrever na experiência deste ano, e porque o funcionamento do programa já foi abordado anteriormente aqui, falarei da selecção dos alunos desta edição e das opiniões deles acerca deste.

Este ano os papéis inverteram-se, estive do outro lado a fazer triagem dos alunos que participariam nesta edição e acompanhei-os durante as 3 semanas. Concorreram apenas 13 alunos (menos 2 do que em 2010) mas a selecção não foi menos difícil pois foi necessário analisar CV, carta de motivação e entrevistas. Depois de algumas indecisões, na decisão final decidiu-se ignorar parte das recomendações da universidade dinamarquesa devido aos perfis que nos chegaram que incluíam competências fora das suas áreas de estudo de engenharia informática, electrónica e gestão industrial.

Esta temática vai de encontro ao trabalho que tenho vindo desenvolver e que foi motivo do meu regresso à Dinamarca. Resumindo, há cada vez mais uma maior necessidade de profissionais que detenham não só competências técnicas inerentes às suas áreas mas também outras competências mais transversais como são as comportamentais (behavioural competences) como, por exemplo, liderança ou criatividade. Já todos vimos enormes listas de competências que profissionais e empreendedores de sucesso têm que deter, só acessíveis a um Super-Homem. Mas isto não invalida que não seja possível adquirir estas competências e um dos principais objectivos deste programa é precisamente a aquisição e desenvolvimento destas competências tão importantes em ambientes multiculturais e multidisciplinares.

Foi com este objectivo que se optou por seleccionar alunos que claramente detinham competências desta natureza e outras, mais técnicas mas úteis ao trabalho que iriam desenvolver na Dinamarca.

O Miguel Machado foi um desses exemplos. Aluno de Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial na Universidade do Minho e interessado em economia, marketing e design, é manager de uma equipa de SimRacing, a MR Corse e fã da B&O desde cedo. Tal como ele afirma, “Tenho a perfeita noção que na Universidade adquirimos algumas ferramentas importantes, mas mesmo estando no curso que mais me preenche, a verdade é que por vezes sinto que só isso não chega, por isso tento, com projectos individuais, adquirir algum conhecimento em áreas como Design e Marketing.”

Em relação ao programa, “penso que estas oportunidades são únicas e, sem dúvida, uma mais-valia para quem tem acesso às mesmas. Na minha opinião o ensino em Portugal é demasiado teórico, muito distanciado do que realmente o mercado precisa e  vai precisar, ou simplesmente de como haveremos de lá chegar. É aí que entram estes programas, para nos darem uma grande “dose” de realidade, a oportunidade de finalmente tentar fazer algo com as ferramentas que adquirimos durante estes anos. O facto de nos proporem desafios constantemente é bastante enriquecedor.

Neste caso particular, o Innovation Camp foi mesmo uma oportunidade única, já que tive uma experiência de trabalho numa das empresas que mais admiro desde que me conheço e que partilha uma filosofia muito próxima com aquilo que acredito…”

Miguel Regedor, estudante do último ano do Mestrado em Engenharia Informática da Universidade do Minho, é outro destes exemplos. Amante de Artes Marciais (Taekwondo), guitarra, e pintura a óleo, já trabalhou em Inglaterra e nos Estados Unidos. Quando regressou a Portugal para terminar o mestrado, decidiu criar a sua própria empresa, a Group Buddies, uma empresa especializada em criar e garantir o suporte de soluções web para grupos.

“O Bang & Olufsen Innovation Camp superou completamente as minhas expectativas. O desenvolvimento de produtos inovadores é uma tarefa exigente. Trabalhar em equipa, com membros de diferentes nacionalidades e áreas de conhecimento, é um desafio único. Porém, tal como acontece com os desafios que enfrentamos ao logo da vida, quanto maior o obstáculo, maior é a recompensa.

Este programa foi uma excelente oportunidade para adquirir novos conhecimentos, através dos profissionais da B&O e dos vários estudantes vindos das melhores universidades de toda a Europa.

Foi impressionante notar como basta juntar alguns jovens, e durante alguns dias, quase do zero, novos conceitos nascem, ideias de negócio extremamente bem trabalhadas. Em menos de um mês, foram criados vários protótipos complemente funcionais. Possivelmente, muitos destes conceitos vão culminar em novos produtos da B&O.

No entanto, o que torna este programa inesquecível, não foram as excelentes condições de trabalho, a óptima qualidade do alojamento, ou mesmo, a comida saborosa. Os melhores alunos europeus estiveram aqui presentes, partilharam conhecimento, criaram fortes laços. Lembranças inesquecíveis de apenas três semanas que pareceram muito mais. Posso assim resumir este programa, como sendo uma experiência de networking fantástica, onde a aprendizagem é intensiva, profissional e social. Três semanas para nunca mais esquecer.”

João Quintas, finalista do Mestrado Integrado em Eng. de Comunicações da Universidade do Minho, ex-aluno Erasmus na Helsinki University of Technology na Finlândia, nos tempos livres segue o mundo da economia digital, dos gadgets, da aviação e da indústria automóvel, tal como os outros, partilha da mesma opinião de que “este tipo de programas proporciona uma oportunidade única de crescer pessoal e profissionalmente, na medida em que as diferentes culturas e formas de trabalhar permitiram-me observar como, para uma mesma situação ou problema, os comportamentos e soluções que cada pessoa emprega são muitas vezes radicalmente diferentes. Poder tirar partido desta diversidade de hábitos, métodos de trabalho e formas de pensar representou para mim, uma mais-valia e uma excelente oportunidade de networking para a criação de uma rede de contactos que, num mercado de trabalho cada vez mais globalizado, permite abrir novos horizontes.”

Regressando à temática de competências para empreendedorismo, de que vale a qualquer empreendedor ter todo o capital, uma equipa bem formada, um modelo de negócio à maneira se não tiver um produto à altura? Mais do que criar a empresa (cada dia mais fácil) e promover produtos, há uma área importantíssima que este programa se dedica extensivamente durante 3 semanas que é a criação de produtos. Este programa mudou a ideia que os alunos tinham acerca de empreendedorismo?

O João Quintas descobriu “que o empreendedorismo vai além da simples capacidade de criação de novos produtos ou serviços, é algo que acontece sempre que um problema é abordado como uma nova oportunidade. A partir daí qualquer grupo de pessoas altamente motivadas pode capitalizar numa nova solução que traga valor acrescentado e em torno da qual se possa criar um modelo de negócio. A ideia pré-concebida que tinha era que para se ser empreendedor era condição necessária ter acesso a um conjunto ilimitado de recursos, mas após esta experiência percebi que a criação de valor passa essencialmente pelas ideias, e que com vontade é possível colocar em marcha um plano a partir de ideias que embora pareçam à partida relativamente simples, acabam por ter um potencial significativo após alguma discussão e amadurecimento.

A globalização veio aumentar a competitividade e o desenvolvimento tecnológico que facilitou essa mesma globalização e veio trazer também um ritmo de mudança bastante mais acelerado. Pessoalmente acredito que as organizações, independentemente da sua dimensão, irão ter de investir cada vez mais na agilização das equipas e dos processos no desenvolvimento de produtos, serviços e soluções inovadoras por forma a poderem tirar desse investimento uma vantagem competitiva. A estagnação hoje em dia não é compatível com o ritmo acelerado de mudança do mundo em que vivemos, pelo que a solução passa por trabalhar no futuro ao invés de viver no passado. Ser empreendedor não implica necessariamente a existência de fundos ou recursos ilimitados, para começar basta uma simples ideia com potencial em que o empreendedor acredite!”

Já o Miguel Machado não mudou muito a ideia que tinha de empreendedorismo. “A forma como lá chegar é que mudou bastante… Para mim, empreendedorismo sempre foi mais do que um processo dinâmico. Acaba por ser um estado de espírito, que algumas pessoas provaram manter durante quase toda a vida. Confesso que ao fim destas 3 semanas, fiquei a saber que não basta ter uma ideia genial e implementar. Quando se trabalha em grupo, por vezes é difícil vender as nossas ideias, ou simplesmente acreditar na dos outros e possivelmente o resultado final será uma mistura de ambas, com muita coisa nova à mistura. É aí que entra o que entendo por empreendedorismo. Empreendedorismo, é pegar em tudo que chega até nós e independentemente do que por vezes pensamos, torná-lo melhor, mais adaptado à realidade, sempre que possível com uma abordagem científica, artística e economista, pois é no início da concepção de um produto que tomamos as decisões mais importantes…”

 

Mais tarde irei abordar a experiência deste ano, o que significou para a empresa a edição deste ano do Innovation Camp e de como os alunos pensam aplicar as suas novas competências.

No votes yet.
Please wait...
Share →

One Response to Bang & Olufsen Summer School 2011 – Parte 1

  1. É importante divulgar estas iniciativas. O Bang & Olufsen Summer School foi fantástico, mais uma vez, uma oportunidade de comprovar que os portugueses estão na linha da frente no que diz respeito a inovação criatividade e capacidade de trabalho.

    No votes yet.
    Please wait...

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *