“Formal education will make you a living; self-education will make you a fortune.” -Jim Rohn
Já perdi a conta aos meses ou anos que quero escrever este artigo. Já não sei quantas vezes o comecei a escrever e quantas vezes desisti, até que fiz uma promessa a mim mesma, quando terminasse o curso iria escrever um artigo sobre o meu percurso na faculdade, o que gostei e o que não gostei e o que acho que pode melhorar. Assim, terminado o curso vejo-me nesta posição de finalmente dizer o que penso e passar para um artigo aquilo que os meus amigos mais próximos já me ouvem a dizer há muito tempo. Espero que este artigo não seja mal interpretado e não pretendo fazer qualquer generalização. Esta é a minha opinião que se aplica no meu caso e no meu percurso académico.
Assim, começo por dizer que os meus 4 anos de faculdade foram os mais felizes da minha vida. Aprendi imenso, conheci pessoas interessantíssimas, fiz muitos amigos e acima de tudo cresci imenso. Foi uma fase da minha vida totalmente diferente do que tinha planeado, que me apanhou de surpresa e excedeu claramente as minhas expectativas. Não podia pedir mais, durante estes 4 anos maravilhosos que vivi. No entanto, pouco disto se deve à faculdade em si.
Mas andando um pouco para trás. Até ao 12º ano eu adorava a escola. Sempre gostei de aprender, sempre gostei daquilo que aprendia e sempre tive uma vontade imensa de aprender mais. Tive a sorte de ter uma avó professora primária que desde cedo me incentivou a estudar. Posso dizer que do 1º ano até ao 9º ano eu estudava mais do que estudava na Faculdade. Eu queria saber tudo, não importava muito a relevância e eram exactamente os detalhes que mais me apaixonavam. Por tudo isto, sempre fui muito boa a todas as disciplinas. Mesmo a educação física era bastante boa, pois sempre adorei desporto, principalmente futebol. Assim, quando fui para o 10º ano, alguns dos meus professores ficaram surpreendidos por ter escolhido a área de economia e não ter seguido a área de ciências. Muitas vezes me perguntaram, mas porque é que não queres ser médica? A minha respostas era invariavelmente, “porque também precisamos de bons gestores e porque acho que só devemos escolher o curso de medicina se sentirmos a vocação e não porque queremos ganhar dinheiro”. Obviamente que esta não era uma resposta politicamente correcta, mas era o que sentia e ainda sinto actualmente. Quando cheguei ao 10º ano confesso que achei os 3 anos de secundário bastante fáceis. Estudava apenas matemática e as restantes disciplinas como eram claramente de áreas em que me sentia muito à vontade não me era exigido muito esforço. Mais uma vez gostei bastante desta fase, cresci bastante e vivi durante 3 anos na ilusão que quando chegasse à faculdade ia adorar. Desde cedo tive a percepção que o nosso ensino não era nada prático. Era-nos ensinado muito conteúdo, mas quase nunca nos mostravam a aplicação prática dos conceitos. Raramente tínhamos a oportunidade de expor o que tínhamos aprendido, raramente tínhamos debates ou discussões e nunca nos era exigido uma opinião crítica sobre um assunto em específico. Era neste ponto que sempre achei que a Faculdade ia ser diferente. Sempre achei que ia estudar matérias com uma componente muito prática, sempre achei que ia com facilidade aplicar os conteúdos, sempre achei que a faculdade ia ser muito exigente e sempre achei que finalmente ia construir bases sólidas para o meu futuro.
4 anos depois considero a Faculdade uma desilusão. Nada do que eu imaginei se concretizou. Onde estavam as matérias estimulantes, onde estava o enfoque no mercado de trabalho, onde estava o ensino experimental? Nos 4 anos de curso, conto pelos dedos as vezes em que ouvi a expressão “mercado de trabalho”, nunca ouvi a palavra “empreendedorismo”, nunca fiz um único trabalho prático em que o feedback que tive foi mais do que uma nota numa pauta. Aprendemos para fazer exames e não para usar conhecimento no nosso futuro. Quando confrontados com isto, muitos foram os que me disseram que a Faculdade deve dar as ferramentas, que a faculdade deve ensinar a pensar, mas hoje sei que a faculdade não fez nem uma coisa nem outra.
Felizmente tive a sorte de integrar desde cedo a FEP Junior Consulting que me deu conhecimento, que me inseriu numa rede de pessoas interessantes e que gostavam de saber mais. E tive a sorte e a consciência que no 2º semestre do 2º ano decidi claramente que o curso não era suficiente para mim e que ia aproveitar os anos da Faculdade para fazer o máximo de coisas que conseguia e dar o meu máximo. Fiz estágios, participei em competições internacionais, organizei eventos, fui a muitas conferências, fiz uma escola de Verão internacional, conheci pessoas muito interessantes, realizei-me pessoalmente e encontrei a minha paixão e o meu sonho. Hoje sei o que gosto de fazer, conheço as minhas limitações, sei exactamente o que quero e apesar de não fazer planos para o longo prazo, sei onde quero estar quando tiver 30 anos, quando tiver 40 anos e sei o que quero ter para contar quando tiver 80 anos. Mas nada disto me foi dado pela faculdade. Nada disto foi valorizado pela faculdade. A verdade é que a certa altura a faculdade era uma desculpa para eu fazer o que gostava. Era tão fácil dizer que era estudante, quando na realidade já o deixei de ser há muito tempo. Apesar de não ser contra o ensino superior, acho muito perigoso quando as pessoas se ficam apenas pelo curso. Não devemos tirar um curso para no final nos chamarem Sr. Dr. ou Sr. Eng. , devemos tirar um curso para aprender. E eu perguntei-me muitas vezes se estava a aprender. Na realidade não estava. Na realidade a Faculdade era a minha desculpa e hoje, terminado o curso, sinto-me uma pessoa mais capaz, mais valorizada mas não me defino por um curso de Gestão, mas sim por todas as pessoas que conheci e por tudo aquilo que criei e em que trabalhei.
Nós precisamos de educar empreendedores, nós precisamos de educar pessoas pró-activas, criativas, críticas, revolucionárias e que queiram trabalhar para um mundo melhor. Temos que criar o nosso próprio espaço no mundo, temos que ter um produto para vender e temos que saber claramente qual o nosso posicionamento no mundo, no mercado de trabalho, na vida. Não podemos continuar a ensinar o abstracto, temos que ir para o concreto, para o tangível e pôr as pessoas a fazer. Precisamos de uma revolução no ensino, precisamos de uma revolução em todas as áreas do saber, precisamos de um ensino exigente que exija trabalho e excelência. Mas acima de tudo, precisamos de um ensino que se adeqúe à nossa realidade, cada mais mais rápida, mais flexível e mais exigente. Hoje sinto-me preparada para enfrentar o mercado de trabalho, conheço a realidade em que vivemos, mas infelizmente nada disto advém dos 4 anos que passei a tirar o curso.
Esta é a minha experiência e vale o que vale, mas hoje, um dia depois de acabar o curso e depois de muito reflectir é isto que sinto e é isto que quero partilhar com todos.






